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Desigualdades regionais aumentam riscos para diabéticos
Apesar de o Brasil ter um sistema de saúde universal, o risco para quem tem diabetes depende de onde a pessoa nasce ou vive. Esta conclusão é resultado de análise de dados de diversos estudos e levantamentos oficiais feito pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). “A desigualdade é marcante, de acordo com os números encontrados”, explica Bianca Pititto, coordenadora do Departamento de Saúde Pública, Epidemiologia, Economia da Saúde e Advocacy da Sociedade Brasileira de Diabetes. João Salles, presidente da SBD, enfatiza que a luta da entidade é para reduzir cada vez mais essas diferenças. “Queremos que todos tenham acesso tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento”, explica. “Por isso, estamos empenhados em levar conhecimento aos profissionais da atenção primária à saúde em conjunto com o Ministério da Saúde.”
O número de mortes prematuras relacionadas ao diabetes, por exemplo, na faixa de 30 a 69 anos, é maior no Nordeste. Nesta região, são registradas 34,4 mortes por 100 mil habitantes. Já na região Sul o número cai para 20,4, o que evidencia as diferenças regionais. A maioria das mortes é causada por problemas cardiovasculares, um dos problemas causados pelo diabetes.
Ao analisar dados sobre amputações de dedos, pés e pernas causadas por complicações em razão do diabetes, os números também evidenciam essa disparidade. “No total, 42% das amputações no Brasil ocorrem na região Sudeste, refletindo a alta demanda e concentração de centros de referência”, explica dra. Bianca. A médica diz ainda que, de 2012 a 2021, o número de amputações cresceu 173% em Alagoas, 160% em Roraima e 146% no Ceará. “As amputações evidenciam iniquidades no acesso oportuno ao diagnóstico e seguimento do tratamento, especialmente em regiões com vazios assistenciais especializado e preventivo”, diz Bianca.
De acordo com o levantamento, o acesso a exames diagnósticos e procedimentos especializados no SUS é marcado por uma forte concentração em polos urbanos desenvolvidos. “As populações fora dos centros metropolitanos enfrentam obstáculos persistentes, como as longas distâncias até unidades de referência, a escassez de serviços de saúde especializados, o atraso no diagnóstico e fragmentação do cuidado”, afirma Bianca. “Tudo isso leva à menor continuidade e adesão ao tratamento.”
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